Particularmente não gosto de fazer
cursos, prefiro outras formas de transferência de conhecimento, como
a leitura de livros, por exemplo. Entretanto, por força das
circunstâncias, participei de um curso multidisciplinar no mês
passado. Dentre os professores, três deles se destacaram pela
ótima didática e capacidade de manter o foco. Aliados ao bom humor,
transformaram a aula em um momento muito agradável. Já, outros
dois professores, conseguiram dar uma bela aula de como perder a
concentração.
Ironicamente, os dois mestres iniciavam a aula extremamente
centrados na matéria. Os alunos, em silêncio, faziam suas anotações
e concordavam, gesticulando com a cabeça. Com o passar do tempo, a
aula, outrora pautada somente por temas relevantes, foi, aos poucos
diluída. O emprego de opiniões pessoais pelo, professor tornou-se
uma constante, o mestre conseguia relacionar tópicos da matéria com
sua vida pessoal, seguidamente. O foco agora é o professor e
inicia-se um show humorístico, as risadas da platéia instigavam o
mestre a continuar seu espetáculo e o círculo vicioso estende-se
pelos últimos 30 minutos da "aula".
Outro erro comum a esses dois profissionais foi o de permitir a
recorrente intromissão de alunos, que tomados pelo clima
descontraído, sentiam-se a vontade em emitir opiniões e realizar
perguntas durante a aula. Essas interrupções roubam um bom tempo e
devem ser evitadas. É claro que para barra-las é necessário um
certo jogo de cintura, o ideal é permitir que as perguntas sejam
feitas somente ao final da aula, caso contrário, a aula
transforma-se em um debate . Voltando ao tema da piada, a minha
sensação foi de que os professores piadistas obtinham uma espécie
de prazer ao arrancar gargalhadas de sua platéia. Sinceramente, se o
objetivo era esse, existem outros palcos mais adequados para essa
atividade: teatros, programadas de auditório e até mesmo o Youtube.
A técnica de descontrair a aula com piadas curtas,
mescladas ao conteúdo da matéria, é positivo, mas deve ser dosada
pelo bom senso.