Trabalhando fora do Brasil
Os profissionais da área de TI, principalmente os desenvolvedores de software, tem uma grande vantagem quando o assunto é internacionalizar a sua carreira. Desenvolver software aqui ou do outro lado do mundo é a mesma coisa, as ferramentas são exatamente as mesmas, o que mudam são mas metodologias e a cultura de cada empresa.
Por conta dessa facilidade, é frequente vermos brasileiros saindo do país e tendo sucesso lá fora. São histórias como essas que fomentam os sonhos da tão sonhada realização profissional e financeira.
Como esse tema é muito importante, entrevistei por e-mail um colega de trabalho, o Rodrigo Garcia, que saiu do país. Fiz apenas 5 perguntas e ele gentilmente respondeu.
Vamos iniciar com uma visão geral sobre o Rodrigo Garcia, conte-nos um pouco sobre sua experiência e trajetória profissional na área de TI.
Comecei a trabalhar com TI numa posição completamente
contrária a que me encontro hoje, trabalhando com
servidores Unix e segurança de redes (uma área que ainda
gosto bastante porém sigo como hobby). Em 2003 comecei a
trabalhar para uma empresa fábrica de software onde
exercia o cargo de network admin, e daí o primeiro contato
com desenvolvimento em plataforma Microsoft que dura
continuamente até hoje. Além da facilidade que tive pois
já trabalhava com TI, tive o privilégio de trabalhar com
ótimos profissionais que já estavam desenvolvendo em .NET
desde o framework beta (em 2001), o que me proporcionou um
aprendizado rápido. De lá, passei por outras empresas
(j-tech, Politec e Paradigma), até iniciar as atividades
na Polimatica(Itália).
Além de sua experiência nos EUA trabalhando na área de
infra-estrutura, recentemente você teve
uma passagem pela Itália, onde atuou como
desenvolvedor. Como é o mercado por lá ?
O mercado de TI é forte no mundo inteiro, principalmente desenvolvimento e na Europa não é diferente. A Itália não está entre os países mais fortes no desenvolvimento (como Irlanda, Inglaterra e Alemanha), porém nas cidades pólos como Turim, Milão e Roma, o déficit de profissionais continua alto.
O nível do desenvolvedor brasileiro não deixa a desejar
em nada, muito pelo contrário, portanto as únicas
possíveis barreiras ao desenvolvedor estrangeiro podem ser
a lingüística (Italiano e Inglês devem estar afiados), e a
documentação para trabalhar legalmente na Itália (se
cidadão de qualquer país da comunidade européia não há
problema algum, caso contrário necessita um visto de
trabalho).
Um dos maiores medos dos imigrantes brasileiros é com o
preconceito (xenofobia) por parte dos estrangeiros, você
sofreu algum problema desse tipo com os italianos?
Felizmente nenhum. Este assunto é realmente muito
polêmico e complexo em toda a Europa porém não só na
Itália como em todos os outros países que visitei nunca
sofri preconceito algum. O italiano é muito espontâneo e
direto e isso as vezes soa como grosseria para algum
estrangeiro mas depois de alguns dias lá, você verá que
são "Tutti buona gente".
Rodrigo, agora a pergunta que não quer calar: Qual é a
remuneração média de um desenvolvedor sênior na
Europa?
Na Itália existem algumas formas de contrato (equivalentes a nossa CLT, PJ, etc), porém apenas a mérito informativo o valor bruto em um contrato equivalente a PJ dentre as 3 cidades citadas varia da seguinte forma:
Milão e Roma – 300 a 400 euros por dia.
Turim – 250 – 350 euros por dia.
Na Irlanda, Inglaterra e Alemanha a remuneração é
consideravelmente melhor, e para aquele que almeja apenas
guardar um dinheiro para posteriormente retornar o Brasil,
é importante lembrar que o pagamento na Inglaterra é em
Libras Esterlinas e que o câmbio para real é bem
melhor.
Para finalizar, gostaria que você deixasse uma dica
para os brasileiros que almejam uma carreira
internacional.
A dica é planejamento. Escolha bem a cidade onde deseja trabalhar, estude bem o inglês pois você vai usar independente do pais escolhido, faça uma reserva econômica, tire seu visto (ficar ilegal é crime, você não vai conseguir um bom salário e se for deportado não poderá mais pisar lá por um bom tempo), e de preferência procure fazer contato com alguma empresa de lá antes mesmo de ir (existe um site para publicação de currículos que ajuda bastante – www.monster.it ). Esteja preparado pra agüentar a saudade do Brasil e então é só partir.
Rodrigo, muito obrigado por compartilhar sua experiência conosco.
Um grande abraço,
Fernando Vezzali.